PF ENCONTRA MINUTA DE ACORDO COM COMISSÃO MILIONÁRIA E INVESTIGA ATUAÇÃO DE ROBERTA LUCHSINGER EM NEGÓCIOS COM OS CORREIOS

REDAÇÃO

Documento apreendido no celular da empresária previa comissão de 50% sobre vendas e mensagens citando os Correios levaram investigadores a apurar possível intermediação na contratação de uma empresa pela estatal.

A Polícia Federal investiga se a empresária Roberta Luchsinger atuou na intermediação de negócios envolvendo os Correios, após encontrar uma minuta de contrato em seu celular que levantou suspeitas sobre sua participação em negociações.
O documento apreendido pela PF envolvia a empresa de Roberta, a RL Consultoria e Intermediações, e a Safe Consig Tecnologia da Informação. A minuta previa uma comissão de 50% sobre vendas realizadas pela consultoria.
As investigações também identificaram mensagens em que Roberta menciona a estatal, incluindo uma lista de órgãos públicos onde aparece a palavra “Correios”.
Segundo a apuração, duas semanas após uma mensagem em que ela fala sobre a assinatura do acordo, a Safe Consig foi contratada pelos Correios, em maio de 2024, para atuar na gestão de margem de consignado dos funcionários da empresa.
O contrato foi firmado em regime de comodato, sem custos para os Correios, e ocorreu durante a gestão de dirigentes ligados ao Partido dos Trabalhadores.
A PF analisa se houve tentativa de intermediação ou influência indevida para aproximar empresas privadas de órgãos públicos. A investigação faz parte de um inquérito mais amplo que apura possíveis relações de influência envolvendo Roberta Luchsinger e Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha.
Os Correios afirmam que não identificaram irregularidades na contratação ou na execução do serviço. A empresa responsável pelo sistema também nega que Roberta ou Lulinha tenham participado da negociação.
A defesa de Roberta Luchsinger não apresentou manifestação específica sobre essa suspeita relacionada aos Correios.
O caso ganhou atenção após a descoberta da minuta e das mensagens analisadas pela Polícia Federal, que agora busca esclarecer se houve apenas uma tentativa comercial ou alguma atuação irregular na contratação.
As investigações seguem em andamento e fazem parte das apurações sobre possíveis conexões entre empresários, intermediários e órgãos públicos. Os envolvidos negam qualquer prática ilegal.
Foto: Divulgação