IRÃ MATA PELO MENOS 33 LÍDERES CRISTÃOS EM MESES DE INTENSA PERSEGUIÇÃO, DENUNCIA MISSÃO

REDAÇÃO

Iran Alive Ministries afirma que outros 131 ministros foram presos pelo regime islâmico, enquanto igrejas clandestinas relatam crescimento mesmo diante da repressão

Segundo o Iran Alive Ministries, outros 131 ministros foram presos pelo regime islâmico; alguns estão no corredor da morte. Apesar da violência, a igreja clandestina continua crescendo.
O regime islâmico do Irã assassinou pelo menos 33 líderes cristãos nos últimos meses, segundo informações do Iran Alive Ministries, uma organização baseada nos Estados Unidos dedicada a levar o Evangelho ao povo iraniano. As vítimas serviam em igrejas clandestinas e mantinham vínculo com a missão. As mortes ocorreram após as grandes manifestações populares contra o regime registradas em janeiro deste ano.
Hormoz Shariat, fundador do Iran Alive, revelou à Baptist Press que outros 131 ministros cristãos foram presos. Atualmente, 14 permanecem detidos — alguns já condenados e no corredor da morte. Outros 114 estão desaparecidos, enquanto quatro enfrentam processos judiciais e já deixaram a prisão.
“Esta é apenas uma amostra das pessoas ligadas à Iran Alive. Há tantos outros cristãos que foram mortos, que foram presos”, afirmou Shariat.
A igreja que não para de crescer
Mesmo diante do aumento da repressão, a igreja subterrânea no Irã segue em expansão. Só neste ano, mais de 5.800 pessoas — incluindo muçulmanos — aceitaram Jesus Cristo por meio do trabalho de evangelização do Iran Alive.
Shariat atribui o crescimento à decepção generalizada com as promessas humanas. “Eles esperaram em homens nos últimos meses. A única esperança que lhes resta é Jesus Cristo. Todo homem que prometeu a eles fazer algo, eles os decepcionaram, mas Jesus não. É por isso que vemos mais salvações neste momento do que nunca”, declarou.
O líder cristão descreveu a nova geração de convertidos como “em chamas pelo Senhor”. Segundo ele, a miséria vivida no país tem aberto os céus para uma atuação especial de Deus.
“A perseguição é uma bênção”
Citando Mateus 5:10, Shariat classificou a repressão governamental como uma bênção. “O governo não está feliz, mas nós estamos felizes porque o Reino de Deus está se expandindo e avançando”, comentou.
Ele lembrou que, de acordo com a lei islâmica e a legislação iraniana, ele e sua equipe são oficialmente considerados criminosos. “Isso é uma honra”, afirmou.
Os cristãos que permanecem presos transformaram as cadeias em campos de ministério. “Os prisioneiros cristãos consideram a prisão como seu local de ministério e estão conduzindo muitas pessoas a Cristo”, relatou Shariat. Ele pediu oração: “Por favor, orem por essas pessoas. Você tem autoridade para usar o nome de Jesus. Use essa autoridade e ore pelos prisioneiros”.
Novas restrições e resistência
Recentemente, o governo iraniano proibiu transmissões de mídia religiosa e criminalizou cidadãos que ouvem programas cristãos. A medida representa mais uma tentativa de sufocar o crescimento do cristianismo no país.
Mesmo assim, o Iran Alive continua transmitindo ensinamentos bíblicos e conteúdo cristão por meio de sua TV satélite, alcançando lares em todo o Irã.
O país ocupa a 10ª posição na Lista Mundial da Perseguição 2026 da Missão Portas Abertas, ranking que avalia a intensidade da hostilidade contra cristãos ao redor do mundo.
A história do Irã mostra, mais uma vez, um padrão que se repete em contextos de forte repressão religiosa: quanto maior a pressão, mais a fé se multiplica nas sombras.
Foto: Facebook/Iran Alive Ministeries