MORAES TERIA CHAMADO MENDONÇA DE “INIMIGO” EM CONVERSA COM ALIADOS

REDAÇÃO

Segundo apuração atribuída ao jornalista Paulo Cappelli, Alexandre de Moraes teria usado o termo ao se referir a André Mendonça em meio ao agravamento das divergências entre os ministros e à disputa envolvendo o caso Daniel Vorcaro.

O episódio ocorre no momento em que a relação entre Moraes e Mendonça se tornou um dos principais focos de tensão dentro do Supremo. Mendonça é responsável pelo caso que envolve mensagens trocadas entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e Moraes e, nos últimos dias, retirou o sigilo de documentos da investigação e encaminhou o caso para análise do plenário.
No domingo (6), Mendonça liberou para julgamento no plenário o processo relacionado às suspeitas envolvendo Moraes e Vorcaro. A definição da data da análise cabe ao presidente do STF, Edson Fachin. O caso ganhou repercussão após um relatório produzido pela Polícia Federal, a pedido de Mendonça, registrar mensagens entre Vorcaro e o ministro.
A movimentação de Mendonça também provocou reação de Moraes, que questionou a atuação do colega e apontou possíveis irregularidades na condução do caso. Fachin determinou prazo para que Mendonça e o procurador-geral da República, Paulo Gonet, se manifestassem sobre as acusações. A disputa passou, assim, a envolver não apenas divergências jurídicas, mas também a própria forma como integrantes do Supremo conduzem investigações que atingem outros ministros.
Nos bastidores, o julgamento poderá evidenciar ainda mais a divisão da Corte. Reportagens recentes apontam que Luiz Fux tem demonstrado apoio a Mendonça, enquanto os posicionamentos de Fachin e Nunes Marques são considerados relevantes para definir o equilíbrio entre os grupos. A composição do plenário tornou o caso particularmente sensível, diante da possibilidade de diferentes ministros precisarem analisar acusações envolvendo integrantes da própria Corte.
A suposta referência de Moraes a Mendonça como “inimigo”, caso confirmada, acrescentaria um componente pessoal a uma crise que já ultrapassou os limites de uma divergência processual. O confronto entre os dois ministros ocorre em um momento de forte pressão sobre o STF, com questionamentos públicos sobre a atuação da Corte e pedidos para que as suspeitas relacionadas ao caso sejam apuradas. O próprio Fachin afirmou que pretende adotar as medidas institucionais cabíveis diante da gravidade da crise.
Foto: STF