“GABINETE DO ÓDIO ESTATAL”: MPE PEDE BANIMENTO DE ASSESSOR DA SECOM DE LULA POR INFLAR FAKE NEWS ELEITORAL

REDAÇÃO

Ministério Público Eleitoral pede suspensão das redes sociais de George Marques até o fim das eleições após republicações relacionadas à falsa informação envolvendo Flávio Bolsonaro e Nossa Senhora Aparecida

O Ministério Público Eleitoral (MPE) pediu à Justiça Eleitoral a suspensão, até o fim das eleições de 2026, do perfil no X de George Marques, coordenador-geral de Estratégia e Informação da Secretaria de Comunicação Social (Secom) da Presidência da República. O servidor é investigado após republicações relacionadas à informação falsa de que Flávio Bolsonaro (PL) teria intenção de retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil.
A manifestação do MPE também solicita que George Marques seja temporariamente impedido de utilizar outras redes sociais, inclusive por meio da criação de novas contas ou do uso de perfis de terceiros. Segundo o promotor Paulo Roberto Binicheski, a medida busca impedir a possível continuidade de infrações envolvendo informações sabidamente falsas relacionadas a candidato e capazes de influenciar o eleitorado.
O episódio ganhou repercussão depois que Marques republicou uma mensagem que incentivava usuários a não divulgarem retratações sobre a informação falsa envolvendo Flávio Bolsonaro. Entre as mensagens compartilhadas estava uma publicação que dizia para “deixar o assunto rolar”, em referência à controvérsia religiosa que ganhou espaço nas redes sociais durante a reta final da eleição.
A informação que deu origem à polêmica associava Flávio Bolsonaro e o PL a uma suposta iniciativa para retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil. Não há evidências de que Flávio tenha apresentado ou defendido uma proposta desse tipo. A controvérsia remonta a um projeto apresentado em 2007 pelo então deputado Victório Galli e posteriormente arquivado.
A atuação de George Marques passou a ser questionada também por causa do cargo ocupado por ele na estrutura de comunicação do governo federal. A campanha de Flávio Bolsonaro apresentou uma notícia-crime ao Ministério Público Eleitoral e pediu inicialmente medidas mais severas, incluindo prisão preventiva, busca e apreensão de equipamentos e afastamento do servidor de suas funções.
O Ministério Público, entretanto, considerou desnecessárias essas medidas mais graves neste momento. A promotoria se manifestou contra a prisão preventiva, contra a busca e apreensão de celulares e computadores e também contra o afastamento de George Marques do cargo público, entendendo que restrições relacionadas às redes sociais seriam suficientes como medidas cautelares.
Além da suspensão do perfil, o MPE pediu que a plataforma X preserve os registros digitais relacionados à conta do servidor. A solicitação abrange publicações excluídas, republicações, informações sobre alcance dos conteúdos e histórico de acessos, elementos que poderão ser utilizados na apuração do episódio.
A Secom afirmou que as manifestações ocorreram em perfil pessoal e não representam a posição institucional da Secretaria de Comunicação Social. O órgão também afirmou anteriormente considerar inadequado que contas pessoais de integrantes da secretaria sejam utilizadas de maneira que possa provocar confusão entre opiniões particulares e manifestações oficiais do governo.
George Marques, por sua vez, declarou que não concordava com o conteúdo da publicação e afirmou que, caso tenha realizado a republicação, isso ocorreu por engano. O episódio permanece sob análise da Justiça Eleitoral, responsável por decidir sobre as medidas cautelares solicitadas pelo Ministério Público Eleitoral.
O caso amplia o debate sobre desinformação e responsabilidade de agentes públicos nas redes sociais durante o período eleitoral. A decisão final sobre a suspensão do perfil caberá à Justiça Eleitoral, enquanto a investigação deverá esclarecer as circunstâncias das republicações e eventuais responsabilidades relacionadas à divulgação do conteúdo falso.
Foto: Divulgação
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