Mensagens apreendidas revelam menções a autoridades dos Três Poderes e podem abrir novos inquéritos por suspeitas de influência e irregularidades
A Polícia Federal está finalizando um relatório específico sobre menções e referências a figuras políticas encontradas no celular e em arquivos digitais apreendidos do empresário Daniel Vorcaro, fundador e ex-controlador do Banco Master. O documento será encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF), sob relatoria do ministro André Mendonça, para análise de possíveis indícios de irregularidades envolvendo autoridades com foro privilegiado.
O Banco Master foi liquidado extrajudicialmente pelo Banco Central em novembro de 2025, após suspeitas de fraudes bilionárias, principalmente no segmento de empréstimos consignados. Vorcaro foi preso preventivamente na Operação Compliance Zero, que apura crimes como gestão fraudulenta, lavagem de dinheiro, organização criminosa e outros delitos contra o sistema financeiro nacional.
As mensagens extraídas — incluindo conteúdos excluídos e recuperados por perícia — revelam contatos e comentários sobre diversas autoridades dos Três Poderes. Entre as citações destacadas nos materiais analisados até o momento estão:
– Encontros e relações com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), incluindo uma reunião não registrada na agenda oficial em dezembro de 2024, descrita por Vorcaro como “excelente” em conversa privada.
– Celebração de emenda parlamentar do senador Ciro Nogueira (PP-PI) em PEC de 2024, que aumentaria o limite do Fundo Garantidor de Créditos (de R$ 250 mil para R$ 1 milhão), potencialmente benéfica ao banco. Vorcaro o chamou de “um dos meus grandes amigos de vida”.
– Referências ao deputado Cláudio Cajado (PP-BA), aliado de Nogueira.
– Pagamentos por consultoria ao ex-governador ACM Neto e menções ao presidente do União Brasil, Antônio Rueda.
– Críticas diretas ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL): em julho de 2024, Vorcaro o chamou de “idiota” e “beócio” em mensagens privadas, reagindo a uma postagem de Bolsonaro no X (antigo Twitter) sobre suposta irregularidade envolvendo a Caixa Econômica Federal e títulos do Master. Não há indícios de encontros diretos ou favorecimentos mútuos documentados nas mensagens divulgadas até agora; as referências a Bolsonaro são majoritariamente negativas e reativas a críticas públicas dele ao banco.
– Outros nomes citados incluem ministros do STF como Alexandre de Moraes e Dias Toffoli (este último levou à sua suspeição e remessa do caso a Mendonça), além de presidentes da Câmara (Hugo Motta, Republicanos-PB) e do Senado (Davi Alcolumbre, União-AP), e figuras como o deputado Aécio Neves (PSDB-MG) e o ex-governador João Doria (PSDB-SP).
A PF separa rigorosamente o material: apenas conteúdos com potencial relevância criminal são mantidos e reportados, descartando aspectos íntimos, privados ou sem indício de delito. Relatórios anteriores já foram enviados ao STF, incluindo menções a Toffoli e Moraes, e parte do material foi compartilhada inicialmente com a CPMI do INSS (que investiga irregularidades em consignados), mas devolvida por determinação judicial para triagem mais restrita.
A conclusão desse relatório pode resultar em inquéritos adicionais no STF se houver elementos concretos de tráfico de influência, corrupção ou favorecimento indevido. A defesa de Vorcaro e dos citados nega qualquer irregularidade, classificando as relações como profissionais, comerciais ou casuais, sem ilegalidade.
O caso Banco Master segue ampliando seu alcance, com debates sobre a profundidade das conexões políticas do esquema e possíveis impactos nas investigações em curso e no cenário eleitoral.
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