Discurso de Kim Jong-un reforça retórica militar e acende alerta sobre escalada armamentista na Ásia
Em mais uma demonstração cínica de que ditaduras aprendem rápido com o caos internacional, Kim Jong-un aproveitou seu discurso no parlamento fantoche da Coreia do Norte para reiterar, de forma “irreversível”, o status do regime como potência nuclear, citando explicitamente a guerra no Irã como prova cabal de que “a força se sobrepõe às normas internacionais”.
Para o tirano que mantém seu povo na miséria enquanto constrói ogivas e mísseis, o bombardeio americano-israelense ao Irã não serviu de alerta sobre os perigos do nuclearismo agressivo, mas sim de justificativa conveniente: só o arsenal atômico garante soberania e intimida “forças hostis” como Estados Unidos e Coreia do Sul, que ele ameaçou com “preço implacável”.
Essa retórica revela a falência moral da comunidade internacional: enquanto o Ocidente debate sanções ineficazes e acordos de papel, ditadores como Kim e os aiatolás transformam o direito internacional numa piada sangrenta, onde quem tem bombas nucleares pode desafiar impunemente resoluções da ONU, ameaçar vizinhos e chantagear o mundo.
O resultado é previsível: uma escalada armamentista perigosa na Ásia, com Pyongyang acelerando seu programa nuclear sob o pretexto de “autodefesa”, enquanto o regime continua faminto de poder, fome e provocação, provando que, na ausência de dissuasão real e firmeza estratégica, a força bruta dos tiranos sempre falará mais alto que tratados e boa vontade.
Texto: @jornalista.rodolfo.oliveira
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