PROPOSTA DE SUBSÍDIO AO DIESEL GERA DEBATE SOBRE IMPACTO FISCAL

REDAÇÃO

Declaração de Alckmin sobre participação dos estados levanta questionamentos sobre política de combustíveis

A declaração de Geraldo Alckmin de que os estados “precisam ajudar” para evitar alta dos combustíveis, por meio de uma subvenção de R$ 1,20 por litro no diesel importado, com metade do custo (R$ 0,60, bancada pelos cofres estaduais, revela mais uma vez a preferência do governo Lula pelo subsídio populista em vez de reformas estruturais que realmente controlem a inflação de combustíveis. 
Em vez de pressionar pela redução permanente de impostos ou pela maior eficiência da Petrobras, o Planalto tenta repassar parte da conta aos governadores, transformando um problema de política energética e dependência de importações em uma negociação política que onera ainda mais o contribuinte. 
Enquanto o governo federal já zerou PIS/Cofins e concede subvenções diretas aos importadores com impacto fiscal bilionário, agora pede que os estados abram mão de arrecadação ou entrem no rateio para “segurar o preço” temporariamente, sem tocar nas causas profundas: volatilidade internacional do petróleo, baixo investimento em refino e intervencionismo crônico que distorce o mercado.
O resultado é previsível: mais despesa pública, risco de desequilíbrio nas contas estaduais, possível aumento de outros tributos ou corte em serviços essenciais, e nenhum incentivo real para o Brasil produzir mais combustível internamente. 
No fim, o motorista e o consumidor pagam a conta duas vezes, na bomba e via impostos, enquanto o governo vende a ilusão de que “ajuda” os estados a resolver um problema que ele próprio ajudou a criar com anos de intervencionismo e falta de previsibilidade.
Essa abordagem de remédio paliativo só adia o ajuste inevitável e reforça a cultura de dependência fiscal entre entes da federação.
Texto: @jornalista.rodolfo.oliveira
Foto: Metrópoles