Presidente avalia viajar ao Piauí para convidar Rafael Fonteles a assumir o Ministério da Fazenda; indicadores fiscais do estado levantam questionamentos sobre a possível escolha
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva avalia viajar pessoalmente ao Piauí para convidar o governador Rafael Fonteles (PT) a assumir o comando do Ministério da Fazenda. A possível indicação ganhou força nos bastidores do Palácio do Planalto no final de outubro e representa uma das movimentações discutidas para a composição da equipe econômica do próximo governo.
A intenção de Lula seria tratar diretamente com Fonteles sobre a possibilidade de assumir a pasta responsável pela condução da política econômica brasileira. A eventual viagem ao Piauí daria dimensão política ao convite e demonstraria a importância atribuída pelo presidente à escolha do sucessor de Fernando Haddad.
Fonteles passou a ser considerado uma alternativa por reunir experiência administrativa e formação na área econômica. O governador é graduado em Matemática, possui mestrado em Economia Matemática pelo Instituto de Matemática Pura e Aplicada (IMPA) e já comandou a Secretaria da Fazenda do Piauí.
Antes de chegar ao governo estadual, também presidiu o Comitê Nacional de Secretários de Fazenda dos Estados e do Distrito Federal (Comsefaz), experiência que ampliou sua interlocução com gestores responsáveis pelas contas públicas estaduais.
Apesar das credenciais técnicas, a possível indicação também desperta questionamentos sobre os resultados fiscais de sua administração no Piauí. Um dos principais pontos de debate é o aumento expressivo da dívida consolidada líquida estadual durante os últimos anos.
Segundo dados divulgados pela imprensa, o endividamento passou de R$ 6,89 bilhões, no final de 2022, para aproximadamente R$ 13,6 bilhões em 2026. O crescimento representa praticamente o dobro do valor registrado no início da gestão de Fonteles.
Outro indicador que entrou no debate é o resultado primário. Críticos da administração estadual apontam uma deterioração das contas públicas, com o saldo negativo passando de R$ 147 milhões para um déficit acumulado de R$ 3,7 bilhões, conforme levantamentos publicados sobre a situação fiscal do estado.
O governo estadual, por sua vez, sustenta que o aumento do endividamento está relacionado à estratégia de ampliar investimentos públicos, modernizar a infraestrutura e acelerar projetos de desenvolvimento. Além disso, a dívida ainda estaria distante do limite legal de 180% da Receita Corrente Líquida estabelecido pelo Senado.
A possível escolha de Fonteles coloca em evidência um debate sobre os critérios que Lula pretende utilizar para definir o próximo responsável pela Fazenda. De um lado, o governador apresenta experiência na administração financeira e diálogo com o setor econômico; de outro, sua gestão estadual será observada pelos indicadores de endividamento e resultado fiscal.
Até que haja um anúncio oficial, a viagem de Lula ao Piauí e o convite a Rafael Fonteles permanecem no campo das articulações políticas. Caso a indicação avance, o governador terá de decidir se deixa o comando do estado para assumir uma das principais funções da equipe presidencial, em um momento de atenção sobre as contas públicas brasileiras.
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