EUA NEGAM AMEAÇA AO PIX E OPOSIÇÃO DIZ QUE GOVERNO LULA MENTIU: “DISSERAM QUE IAM PREJUDICAR O PIX”

REDAÇÃO

Porta-voz do governo americano afirma que medidas contra PCC e CV visam criminosos e financiadores, não o sistema de pagamentos brasileiro.

A declaração da porta-voz do Departamento de Estado dos Estados Unidos, Amanda Roberson, de que eventuais sanções contra integrantes e apoiadores do PCC (Primeiro Comando da Capital) e do Comando Vermelho não têm o Pix como alvo direto, gerou novas críticas ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Nos últimos dias, integrantes do governo demonstraram preocupação com possíveis impactos sobre o sistema de pagamentos instantâneos brasileiro caso as facções fossem classificadas como organizações terroristas pelos EUA. O temor era de que sanções financeiras pudessem atingir instituições que processassem operações ligadas aos grupos criminosos, afetando indiretamente o funcionamento do Pix.
Entretanto, a representante americana afirmou que o objetivo das medidas é atingir indivíduos e empresas que forneçam apoio material às organizações criminosas, e não o sistema de pagamentos brasileiro. Segundo ela, o foco é interromper fluxos financeiros ilícitos sem prejudicar a infraestrutura financeira nacional.
A oposição aproveitou a declaração para acusar o Palácio do Planalto de exagerar os riscos envolvendo o Pix e transformar o tema em disputa política. Críticos argumentam que o governo alimentou uma narrativa de ameaça ao sistema para mobilizar apoio público, enquanto autoridades americanas deixaram claro que as medidas discutidas não visam o mecanismo criado pelo Banco Central.
O episódio ocorre em meio a outra frente de tensão entre Brasil e Estados Unidos. Uma investigação comercial conduzida por Washington questiona possíveis vantagens competitivas do Pix em relação a empresas privadas de meios de pagamento, como Visa e Mastercard. Apesar disso, especialistas destacam que essa discussão está relacionada a questões comerciais e regulatórias, sem ligação direta com sanções ligadas ao combate ao crime organizado.
Diante do esclarecimento do governo americano, opositores passaram a cobrar explicações do Planalto sobre o tratamento dado ao tema, enquanto o governo sustenta que a preocupação era legítima diante das incertezas iniciais sobre o alcance das medidas discutidas nos Estados Unidos.
Foto: White House