MAIORIA APOIA CLASSIFICAR PCC E CV COMO TERRORISTAS E REPROVA POLÍTICA DE SEGURANÇA DO GOVERNO

REDAÇÃO

Pesquisa AtlasIntel aponta apoio ao enquadramento das facções como terroristas e avaliação negativa da atuação federal no combate ao crime organizado.

Brasília – Uma pesquisa da AtlasIntel divulgada nesta semana expõe o crescente desgaste do governo Luiz Inácio Lula da Silva no enfrentamento ao crime organizado. Quase metade dos brasileiros avalia como péssimo o desempenho do Palácio do Planalto na área, em meio à expansão das facções pelo país e à percepção de que a violência avança apesar das promessas oficiais.
De acordo com o levantamento, 47,6% dos entrevistados classificam a atuação federal como péssima. A reprovação é especialmente acentuada entre eleitores do ex-presidente Jair Bolsonaro, onde chega a 90,8%. Mesmo entre os apoiadores de Lula, o percentual de avaliações negativas, embora menor, sinaliza desconforto interno. Apenas 3,5% dos lulistas consideram o desempenho bom ou ótimo na área.
O estudo também mostra que mais da metade da população (53,1%) concorda com a decisão dos Estados Unidos de classificar o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas – medida que o governo brasileiro tem evitado adotar de forma explícita. A proximidade dos brasileiros com a violência das facções é alarmante: 11,2% afirmam ter sido vítimas diretas, enquanto 45,9% conhecem alguém nessa situação. Na Região Norte, o índice de vítimas diretas salta para 33,2%.
Diante dos números, a preferência da população por medidas mais eficazes fica clara. Quase três em cada quatro brasileiros (74,5%) defendem que o foco do combate ao crime organizado seja a inteligência financeira, com bloqueio de contas, rastreamento de recursos e combate à lavagem de dinheiro, em vez de operações policiais ostensivas que muitas vezes produzem resultados pontuais e midiáticos.
A pesquisa ainda indica impacto direto nas intenções de voto para 2026: 50,8% dos entrevistados disseram que teriam mais facilidade para apoiar candidatos que defendam o enquadramento das grandes facções como organizações terroristas.
O resultado surge em um momento delicado para o governo. Em maio, o Planalto anunciou o programa Brasil Contra o Crime Organizado, com previsão de R$ 11 bilhões em investimentos, mas o anúncio tem sido recebido com ceticismo por analistas e oposição, que apontam falta de resultados concretos e o avanço contínuo do poder das facções sobre o território nacional, especialmente em áreas de fronteira e regiões metropolitanas.
A AtlasIntel utilizou sua metodologia de Recrutamento Digital Aleatório (RDR), com margem de erro reduzida, e reforça o que outras pesquisas recentes já indicavam: segurança pública e criminalidade se consolidam como uma das principais vulnerabilidades do terceiro mandato de Lula.
Foto: Divulgaçãok