MORAES, O ÚNICO JUIZ DO PLANETA QUE PODE DECIDIR SOBRE A PRÓPRIA ESPOSA SEM NENHUM CONSTRANGIMENTO

REDAÇÃO

Ministro foi sorteado para relatar mandado de segurança que pede informações sobre entradas e saídas do Senado, incluindo registros de Viviane Barci de Moraes e Daniel Vorcaro; situação levanta debate sobre eventual impedimento ou suspeição

Alexandre de Moraes foi sorteado relator de um mandado de segurança que pede os registros de entrada no Senado de uma lista de nomes — entre eles, o de sua própria esposa, Viviane Barci de Moraes, e o de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. O processo chegou ao STF porque envolve o presidente da Casa, Davi Alcolumbre. Em qualquer país com um mínimo de respeito às regras básicas de imparcialidade, a presença do nome da mulher do ministro no processo bastaria para afastá-lo automaticamente. Aqui, o sorteio aconteceu, o relator permanece e o silêncio institucional é ensurdecedor.
A situação é tão absurda que chega a parecer paródia. Um juiz que decide sobre dados de acesso de sua própria esposa ao Senado não é apenas um conflito de interesses: é a negação aberta do princípio de que ninguém pode ser juiz em causa própria. Em nações minimamente sérias, esse episódio geraria pedido de impedimento, investigação interna e, muito provavelmente, o afastamento do magistrado. No Brasil, vira apenas mais uma nota de rodapé na rotina de poder concentrado nas mãos de um único ministro.
O que mais choca não é só o sorteio em si, mas a naturalidade com que a máquina institucional engole o absurdo. Ninguém no STF parece incomodado. Nenhuma voz se levanta para lembrar que a esposa do relator está listada no pedido. É como se a palavra “suspeição” tivesse sido apagada do vocabulário jurídico brasileiro quando o nome envolvido é Moraes. Em qualquer democracia funcional, isso seria escândalo de primeira página. Aqui, é procedimento padrão.
Se o mesmo fato ocorresse em um país com instituições minimamente intactas, Alexandre de Moraes já estaria longe do Supremo. Não por perseguição política, mas por simples respeito à aparência de imparcialidade. A justiça não pode sobreviver quando o juiz tem interesse direto ou familiar no resultado. No Brasil de 2026, essa regra parece valer para todos, menos para o ministro que mais acumula poder.
O caso expõe, mais uma vez, o grau de degradação a que chegou o sistema. Moraes já concentra decisões sobre investigações, censuras e agora sobre informações que tocam diretamente sua família. A cada novo episódio, a credibilidade do STF é corroída um pouco mais. E o pior: a sociedade começa a tratar o escândalo como rotina, como se o conflito de interesses fosse apenas um detalhe técnico sem importância.
No fundo, o que se vê é a normalização do excepcional. Um ministro julgando a própria esposa deixou de ser motivo de vergonha institucional e passou a ser apenas “mais um sorteio”. Em países sérios, isso seria o fim de uma carreira. No Brasil, é o retrato de um sistema que já perdeu há tempos o pudor de fingir que ainda acredita em imparcialidade.
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