Fortalecimento das bancadas de direita e reveses políticos em suas bases regionais devem aumentar a pressão sobre os presidentes do Senado e da Câmara nas negociações para a composição das Casas em 2027
O resultado das Eleições 2026 redesenhou a correlação de forças no Congresso Nacional e tornou mais complexo o caminho de Davi Alcolumbre e Hugo Motta para permanecerem no comando do Senado e da Câmara dos Deputados em 2027. O fortalecimento da direita, especialmente do PL, aumenta o peso desse campo nas negociações pelas presidências das duas Casas.
A nova composição que tomará posse em 2027 contará com uma presença maior de parlamentares conservadores. Esse avanço deverá influenciar não apenas a eleição das mesas diretoras, mas também a distribuição das principais comissões e a definição das pautas prioritárias do Legislativo.
Alcolumbre chega a esse novo cenário enfrentando resistência de setores da direita, principalmente entre parlamentares que cobram uma postura diferente do Senado em relação a pautas envolvendo o Supremo Tribunal Federal. Com uma bancada conservadora fortalecida, essas cobranças tendem a ganhar ainda mais peso político.
Hugo Motta também terá de reorganizar sua base de apoio na Câmara. A ampliação das bancadas de direita aumenta a necessidade de negociação com partidos e lideranças que poderão exigir maior participação nos espaços de comando da Casa em troca de apoio a uma eventual recondução.
Além da mudança nacional, os dois sofreram reveses políticos em suas bases regionais. Na Paraíba, Nabor Wanderley, pai de Hugo Motta, foi derrotado na disputa pelo Senado, resultado que representou um revés importante para o grupo político ligado ao presidente da Câmara.
No Amapá, Alcolumbre também viu seu grupo sofrer uma derrota relevante com o resultado envolvendo o governador Clécio Luís, seu aliado histórico. O desempenho eleitoral enfraqueceu parte da estrutura política regional que dava sustentação ao senador.
O cenário se torna ainda mais delicado porque Alcolumbre e Motta vinham mantendo diálogo e aproximação com o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Com o avanço eleitoral da direita, ambos precisarão equilibrar essa relação com o Planalto e, ao mesmo tempo, buscar apoio entre os novos parlamentares de oposição.
No Senado, a pressão poderá ser especialmente intensa. Senadores identificados com a direita prometem aumentar as cobranças pela análise de propostas e requerimentos relacionados ao STF, tema que poderá entrar diretamente nas negociações sobre quem comandará a Casa a partir de fevereiro de 2027.
A disputa pelas presidências da Câmara e do Senado, portanto, deverá envolver muito mais do que a escolha de dois nomes. Estarão em jogo comandos de comissões, cargos nas mesas diretoras, relatorias importantes e o espaço que cada bancada terá na condução das pautas durante a próxima legislatura.
Com o Congresso mais favorável à direita, Alcolumbre e Hugo Motta ainda podem buscar a recondução, mas precisarão construir acordos em um ambiente político diferente daquele que sustentou suas atuais presidências. O resultado das urnas ampliou o poder de negociação dos conservadores e transformou a eleição interna de fevereiro de 2027 em uma das primeiras grandes disputas de poder da nova legislatura.
Foto: Divulgação / O Globo