Banco Master: alerta ignorado pelo BC antecedeu escândalo bilionário
REDAÇÃO
Ofício da PF em 2024 apontava irregularidades que só vieram à tona após colapso do banco
URGENTE: O escândalo do Banco Master expõe uma das maiores falhas de supervisão na história recente do sistema financeiro brasileiro. Em julho de 2024, a Polícia Federal enviou ofício ao Banco Central alertando sobre graves irregularidades na instituição, incluindo a suspeita de que o empresário Nelson Tanure seria o controlador oculto por meio de complexa rede societária e recursos offshore originados nas Bahamas. Apesar do alerta formal de uma autoridade de repressão criminal, o Banco Central respondeu ao delegado da PF que as suspeitas já haviam sido analisadas internamente e arquivadas, sem indícios de ilegalidades detectados por seus órgãos de supervisão.
A resposta do regulador revelou-se desastrosa. Menos de um ano e meio depois, em novembro de 2025, o mesmo Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master, revelando um esquema bilionário de fraudes que incluía emissão de títulos de crédito falsos sem qualquer lastro, carteiras de crédito inexistentes vendidas como ativos sólidos e desvio massivo de recursos. O rombo estimado chegou a cifras alarmantes, com desvios que superaram R$ 11 bilhões em algumas estimativas iniciais, e o conglomerado controlado por Daniel Vorcaro acabou desmontado com a liquidação sucessiva de oito instituições ligadas.
A Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal, escancarou o tamanho da negligência e da possível conivência. Servidores do Banco Central, incluindo ex-diretor de fiscalização e chefe de departamento de supervisão, foram afastados e investigados por receberem vantagens indevidas, atuando como consultores informais do banqueiro em troca de mesadas para facilitar a driblagem da fiscalização. Vorcaro foi preso preventivamente em mais de uma fase da operação, acusado de corrupção, lavagem de dinheiro, ameaça, gestão fraudulenta e até montagem de milícia privada para espionagem e intimidação de adversários.
O Banco Central enviou pelo menos 18 notificações ao Master entre 2019 e 2024, apontando problemas de liquidez, governança e ativos problemáticos, mas as medidas foram insuficientes para impedir o colapso. Alertas do Fundo Garantidor de Crédito e de outras entidades também foram ignorados ou mantidos sob sigilo, o que levanta dúvidas sobre a efetividade da supervisão durante anos. A tentativa de venda de carteiras fraudulentas ao BRB, por exemplo, envolveu informações falsas apresentadas ao regulador, e só veio à tona após a intervenção.
O resultado é devastador: milhares de investidores prejudicados, acionamento do FGC para ressarcimentos limitados, bloqueio de bilhões em ativos e uma crise de confiança no sistema bancário. O caso expõe falhas graves na detecção precoce de fraudes, possível captura regulatória e lentidão em agir apesar de indícios claros desde 2024. A demora em reconhecer as irregularidades permitiu que o esquema se agravasse, transformando o que poderia ter sido contido em um dos maiores escândalos financeiros do Brasil, com consequências que ainda reverberam no mercado e na economia.
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