Presidente da CPMI do INSS afirma que qualquer acordo de delação premiada de Daniel Vorcaro deve ser integral, sem seletividade, e revelar todos os contatos envolvidos no esquema do Banco Master.
Brasília, 19 de março de 2026 – O senador Carlos Viana (Podemos-MG), presidente da CPMI do INSS, deixou claro nesta quinta-feira: não aceitará uma delação premiada “meia-tigela” ou seletiva do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Para Viana, o acordo só terá validade se for completo, incluindo todos os nomes e contatos nos Três Poderes.
“Tem que contar contatos no Congresso, no Supremo e na Polícia Federal. Sem seletividade!”, afirmou o senador. Ele defende que o país tem o direito de saber quem são os “personagens” por trás do escândalo que envolve fraudes em benefícios do INSS e operações do Banco Master.
A declaração ganha ainda mais peso nesta semana, após a defesa de Vorcaro procurar a Polícia Federal e o ministro André Mendonça (relator do caso no STF) para negociar uma delação premiada. O banqueiro, preso preventivamente, trocou de advogado e sinaliza disposição para colaborar, mas Viana cobra transparência total.
“Espero que ele faça uma delação em nome dos brasileiros”, completou o presidente da CPMI. Segundo Viana, uma delação parcial não contribuiria para o esclarecimento dos fatos nem para o combate à corrupção.
Contexto da pressão por uma delação ampla
A CPMI do INSS tem avançado nas investigações sobre descontos irregulares em benefícios previdenciários e o envolvimento de instituições financeiras. Viana tem cobrado insistentemente a presença de Vorcaro para depor e reforçado que a comissão não aceitará omissões.
Recentemente, a comissão obteve quebra de sigilo telemático do banqueiro e identificou comunicações com números funcionais do Supremo Tribunal Federal. O senador já anunciou que vai oficiar a Corte para identificar os usuários dos terminais no período das mensagens.
Paralelamente, há tensão institucional: a PF bloqueou parte dos acessos da CPMI a dados apreendidos com Vorcaro, e Viana invocou poderes constitucionais da comissão para requisitar informações diretamente, inclusive à Apple, para recuperar dados que teriam sido apagados.
O que está em jogo?
Uma delação completa de Vorcaro pode revelar:
– Políticos do Congresso que teriam se beneficiado do esquema;
– Contatos no Judiciário, incluindo possíveis interlocuções no STF;
– Envolvimento de servidores da Polícia Federal e do INSS;
– Detalhes sobre as fraudes milionárias operadas pelo Banco Master.
O senador tem classificado o caso como “questão de honra” para a CPMI e para o Parlamento. Ele defende que o Legislativo não pode se curvar a eventuais interferências e que a sociedade brasileira merece a verdade integral.
Enquanto as negociações avançam no STF e na PF, a CPMI segue com sua agenda de depoimentos, incluindo a ex-namorada de Vorcaro e presidentes de bancos e do Dataprev.
Carlos Viana resume o posicionamento de forma direta: delação tem que ser completa ou não serve. O Brasil acompanha de perto o próximo capítulo dessa investigação que já tensiona relações entre Congresso e Supremo.
Foto: Agência Senado