Reportagem aponta uso de aeronaves associadas a investigado, enquanto ministro nega irregularidades e fala em “matéria fantasiosa”
Brasília, 1º de abril de 2026:
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, viu-se novamente no centro de polêmica após reportagem da Folha de S.Paulo revelar que ele e sua esposa, a advogada Viviane Barci de Moraes, realizaram pelo menos oito voos em aeronaves executivas ligadas ao empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, entre maio e outubro de 2025.
De acordo com documentos obtidos pela coluna de Mônica Bergamo e cruzados com registros da ANAC, do Decea (Departamento de Controle do Espaço Aéreo) e do Registro Aeronáutico Brasileiro, sete desses voos ocorreram em aviões da Prime Aviation, empresa de compartilhamento de bens de luxo da qual Vorcaro era sócio por meio de um fundo patrimonial. Um oitavo voo teria sido realizado em um jato Falcon 2000 ligado a empresa com participação de Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro.
A revelação ganha contornos mais graves porque Daniel Vorcaro é alvo de investigações da Polícia Federal por supostas fraudes no Banco Master, instituição que foi liquidada extrajudicialmente pelo Banco Central. O empresário já foi preso em operações da PF, inclusive ao tentar deixar o país em jato particular. Além disso, o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes manteve um contrato milionário com o Banco Master – estimado em cerca de R$ 129 milhões ao longo de três anos –, o que levanta questionamentos sobre possíveis favorecimentos e proximidade entre a família do ministro e o grupo investigado.
Em nota oficial divulgada na terça-feira (31), o gabinete de Moraes classificou a reportagem como “fantasiosa” e negou veementemente qualquer irregularidade. “As ilações da fantasiosa matéria são absolutamente falsas. O ministro Alexandre de Moraes jamais viajou em nenhum avião de Daniel Vorcaro ou em sua companhia e de Fabiano Zettel, a quem nem conhece”, afirmou o texto.
O escritório Barci de Moraes, por sua vez, admitiu ter contratado serviços de táxi aéreo, incluindo da Prime Aviation, mas garantiu que se tratava de fretamentos regulares e que nem Vorcaro nem Zettel estavam presentes nos voos. A defesa sustenta que não houve qualquer relação pessoal ou benefício indevido.
A nova denúncia se soma a outras controvérsias recentes envolvendo Moraes e Vorcaro, como supostas trocas de mensagens no dia da primeira prisão do banqueiro em novembro de 2025 – contatos que o ministro também nega terem sido direcionados a ele. Críticos veem no episódio mais um sinal de possível conflito de interesses e falta de transparência por parte de um dos ministros mais atuantes e controversos do STF.
Até o momento, não há investigação formal aberta especificamente sobre os voos, mas o caso alimenta o debate sobre os limites éticos da atuação de magistrados da mais alta corte do país, especialmente quando envolvem relações com investigados por fraudes financeiras de grande monta.
O ministro e seu gabinete não se manifestaram além da nota inicial. A sociedade aguarda esclarecimentos mais detalhados sobre os critérios de contratação dos serviços de aviação e a natureza exata dos vínculos indiretos revelados pela imprensa.
Foto: STF