Entrega de alojamento marca avanço parcial do projeto, enquanto campus completo segue previsto para 2027
Fortaleza, 1º de abril de 2026:
Em mais um ato de marketing governamental, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva desembarcou no Ceará para inaugurar apenas o bloco de alojamento estudantil do novo campus do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), na Base Aérea de Fortaleza. O que o Palácio do Planalto e aliados locais vendem como grande conquista para a educação não passa, na prática, de uma entrega parcial e incompleta de um projeto que já acumula anos de obras fragmentadas e investimentos bilionários sem resultado pleno.
A solenidade, que também serviu para celebrar os dois anos do programa Pé-de-Meia, ocorreu nesta quarta-feira com a presença do governador Elmano de Freitas (PT) e do ministro da Educação, Camilo Santana. Enquanto as autoridades posavam para fotos diante de uma estrutura ainda em fase inicial, o campus completo – que prevê blocos acadêmicos, laboratórios e salas de aula – segue longe de ficar pronto. As aulas só devem começar, no melhor cenário, em março de 2027, ou seja, quase quatro anos após os primeiros anúncios.
Críticos apontam que a entrega pela metade reflete o estilo do governo: muito anúncio, pouca conclusão. O projeto do ITA Ceará foi dividido em múltiplas etapas, com recursos liberados aos poucos – primeiro R$ 70 milhões, depois mais de R$ 100 milhões, depois R$ 180 milhões na terceira fase, totalizando centenas de milhões de reais do contribuinte. Mesmo assim, o que se viu hoje foi apenas o alojamento, sem as condições plenas para o funcionamento de um instituto de excelência como o ITA de São José dos Campos.
Em tempos de crise fiscal e cobrança por resultados concretos na educação técnica, a visita de Lula ao Ceará soa mais como palanque do que como avanço real. Enquanto o governo celebra a realidade do ITA no Nordeste, estudantes e professores seguem esperando um campus de fato operacional, e não apenas um dormitório inaugurado com fanfarra.
A oposição já questiona o uso eleitoreiro do evento, especialmente por ocorrer em ano de disputas políticas locais e nacionais. Para muitos, inaugurar pela metade resume bem o que tem sido a gestão petista em grandes obras: promessa farta, entrega magra.
O contribuinte, mais uma vez, paga a conta de uma foto oficial. O Ceará merecia muito mais do que um alojamento isolado vendido como vitória histórica.
Foto: PR