Ex-ministro afirma que não teve chance de se defender, aponta componente racial no caso e promete provar inocência no STF
O ex-ministro dos Direitos Humanos e Cidadania, Silvio Almeida, afirmou ser inocente das acusações de importunação sexual que o levaram à demissão do cargo em setembro de 2024. Em um vídeo publicado nas redes sociais na noite de terça-feira, 31 de março de 2026, Almeida quebrou o silêncio e criticou tanto as denúncias quanto a forma como foi afastado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
As acusações contra o ex-ministro vieram à tona em setembro de 2024, por meio de relatos recebidos pela organização Me Too Brasil. Entre as denúncias, está a da ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, que relatou episódios de importunação sexual ocorridos a partir da transição de governo, em dezembro de 2022. A Polícia Federal investigou o caso e indiciou Almeida em novembro de 2025 por suspeita de importunação sexual, incluindo contra Anielle Franco e a professora Isabel Rodrigues.
Em março de 2026, a Procuradoria-Geral da República, sob o comando do procurador-geral Paulo Gonet, apresentou denúncia ao Supremo Tribunal Federal contra Silvio Almeida pelo crime de importunação sexual contra Anielle Franco. O processo tramita em sigilo na Corte, com relatoria do ministro André Mendonça. Se condenado, o ex-ministro pode enfrentar pena de um a dois anos de detenção.
No vídeo de defesa, Almeida declarou: “Olá, meu nome é Silvio Almeida e eu sou um homem inocente”. Ele afirmou que as acusações são irresponsáveis e que não teve oportunidade adequada de se defender antes da demissão, ocorrida em menos de 48 horas após a divulgação pública das denúncias. Na época, o presidente Lula considerou insustentável a permanência de Almeida no ministério diante da gravidade das alegações.
O ex-ministro também sustentou que sua saída da vida pública foi marcada por uma dimensão racial. Segundo ele, a forma rápida e dura com que foi tratado se apoiou em estereótipos que associam homens negros à brutalidade e ao descontrole. Almeida disse que homens e meninos pretos são frequentemente vistos com suspeita permanente e que uma mentira foi tratada como verdade para afetar sua imagem. Ele prometeu apresentar provas de sua inocência na Justiça, local que considerou o adequado para se defender.
A denúncia da PGR foi vista por Anielle Franco como um estímulo para que outras mulheres denunciem casos de assédio. Até o momento, o processo segue em andamento no Supremo Tribunal Federal, e Silvio Almeida mantém a presunção de inocência do ponto de vista jurídico.
O caso continua a gerar debates sobre assédio sexual em ambientes de poder, o tratamento de denúncias contra figuras públicas e o papel do movimento Me Too no cenário político brasileiro.
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