RELAÇÃO PERIGOSA: BANCO MASTER PAGOU R$ 29 MILHÕES A EX-PRESIDENTES DA OAB

REDAÇÃO

Pagamentos a escritórios ligados a Marcus Vinicius Furtado Coêlho e Felipe Santa Cruz levantam questionamentos sobre relações entre setor financeiro e cúpula da advocacia

Os repasses milionários do Banco Master, controlado por Daniel Vorcaro, a escritórios de dois ex-presidentes da OAB, R$ 27,5 milhões para o de Marcus Vinicius Furtado Coêlho e R$ 1,55 milhão para o de Felipe Santa Cruz, totalizando cerca de R$ 29 milhões apenas em 2025, expõem, mais uma vez, o perigoso entrelaçamento entre grandes instituições financeiras e a cúpula da advocacia brasileira.
Esses valores, revelados por dados da Receita Federal enviados à CPI do Crime Organizado, destacam-se no contexto de um banco que desembolsou mais de R$ 300 milhões em honorários advocatícios no ano e que enfrenta investigações por fraudes financeiras de grande escala, incluindo supostas emissões irregulares de títulos e operações questionáveis.
Enquanto a advocacia de alto escalão alega prestação legítima de serviços, o volume e a seletividade dos pagamentos, que beneficiam figuras com forte influência política e institucional, suscitam fundadas suspeitas de que tais contratos funcionem como uma forma sofisticada de captura de influência, blindagem jurídica ou até investimento preventivo em relações que possam amenizar escrutínios regulatórios e judiciais, erodindo ainda mais a já frágil percepção de independência entre o mundo financeiro e os poderes constituídos no Brasil.
Texto: Rodolfo Oliveira
Fotos: Divulgação