Articulação de Arthur Lira garante apoio no Congresso e viabiliza indicação de Odair Cunha ao Tribunal de Contas da União
Arthur Lira, o ex-presidente da Câmara que tanto posou de “fiscal do governo”, mostrou mais uma vez sua verdadeira face ao ser convocado pelo Planalto para articular os votos que elegeram o petista Odair Cunha ao cargo de ministro do Tribunal de Contas da União (TCU).
O dedo de Lira foi decisivo para garantir a vaga a um quadro histórico do PT, conhecido por sua militância partidária, em uma das instituições responsáveis por fiscalizar os gastos com o dinheiro do povo e os atos do próprio governo Lula, um escândalo de aparelhamento que transforma o TCU em mais um feudo petista, em vez de um órgão técnico e independente.
Enquanto o pagador de impostos assiste ao desperdício bilionário de recursos, ao abuso de aviões da FAB e à inflação corroendo o poder de compra, o Centrão e o governo costuram nomeações políticas como se o Tribunal de Contas fosse extensão do comitê partidário, trocando favores e cargos por apoio no Congresso.
Essa eleição escancarada revela o DNA do atual regime: não há mais fingimento de independência dos Poderes, apenas uma grande negociata em que Lira, sempre pragmático, entrega o que o PT quer em troca de sobrevida política.
O resultado é previsível: um TCU cada vez mais manso, leniente com as pedaladas, os supersalários e os rombos fiscais do governo, enquanto o brasileiro comum paga a conta.
Em Brasília, o jogo continua o mesmo, só muda o nome do indicado.
Texto: Rodolfo Oliveira
Foto: Sérgio Lima