Aumento das queixas de xenofobia e discriminação acende alerta entre entidades de defesa dos imigrantes e representantes da comunidade brasileira no país
A comunidade brasileira em Portugal, hoje a maior entre os estrangeiros residentes no país, com cerca de 485 mil pessoas em situação regular, tem enfrentado um aumento significativo de casos de xenofobia e discriminação. Apesar dos laços históricos, culturais e linguísticos entre as duas nações, brasileiros seguem liderando as denúncias registradas por órgãos portugueses responsáveis pelo combate à discriminação racial e étnica.
As principais reclamações envolvem agressões verbais, preconceito relacionado ao sotaque, discriminação no acesso ao mercado de trabalho, dificuldades para alugar imóveis e estereótipos negativos que ainda persistem. Muitos brasileiros relatam tratamento desigual em ambientes públicos e privados, além de episódios de humilhação motivados pela nacionalidade.
Dados de entidades de defesa dos imigrantes apontam que as denúncias cresceram de forma expressiva nos últimos anos. Especialistas atribuem esse aumento tanto ao crescimento da comunidade brasileira quanto à maior disposição das vítimas em formalizar queixas, embora muitos casos ainda deixem de ser denunciados.
Outro fator apontado por organizações da sociedade civil é a diferença entre as legislações dos dois países. No Brasil, o racismo é considerado crime inafiançável e imprescritível pela Constituição. Em Portugal, embora existam mecanismos legais para punir atos discriminatórios, críticos afirmam que as punições são, em muitos casos, mais brandas, o que contribui para a percepção de impunidade.
A herança colonial e antigos estereótipos também são apontados como elementos que alimentam parte do preconceito enfrentado pelos brasileiros. Pesquisadores destacam que manifestações de discriminação frequentemente se misturam com questões sociais, econômicas e culturais, dificultando o combate efetivo ao problema.
Instituições como a Casa do Brasil de Lisboa e o Consulado-Geral do Brasil em Portugal oferecem orientação jurídica, acolhimento às vítimas e incentivo para o registro formal das denúncias. As entidades também defendem campanhas educativas, fortalecimento da fiscalização e maior rigor na aplicação das leis contra a discriminação.
Diante desse cenário, representantes da comunidade brasileira cobram das autoridades portuguesas medidas mais efetivas para combater a xenofobia e garantir igualdade de tratamento aos imigrantes. O objetivo é assegurar que brasileiros que vivem, trabalham e estudam em Portugal possam exercer seus direitos com segurança, respeito e dignidade.
Foto: Divulgação