Gastos da Secretaria de Comunicação Social atingem recorde no primeiro semestre de 2026, reacendem críticas da oposição e ampliam debate sobre publicidade institucional em ano eleitoral.
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) alcançou, em 2026, o maior gasto com publicidade oficial da Presidência da República desde 2009. Apenas nos primeiros seis meses do ano, a Secretaria de Comunicação Social (Secom) registrou R$ 255,3 milhões em pagamentos para campanhas institucionais, além de uma previsão adicional de R$ 584,7 milhões para ações de comunicação ao longo do período.
O volume de recursos chamou atenção por ocorrer em um ano eleitoral, quando a disputa política se intensifica e governos costumam ampliar suas ações de comunicação. O montante superou os valores registrados em períodos equivalentes de administrações anteriores, incluindo o primeiro semestre de 2022, último ano do governo Jair Bolsonaro (PL), quando havia também uma corrida pela reeleição.
Segundo levantamento divulgado pelo Estadão, os gastos de publicidade do governo federal em 2026 representam um aumento de 57% em relação ao mesmo período de 2025, considerando a correção pela inflação. Desde o início do terceiro mandato de Lula, em 2023, os investimentos da Secom em propaganda já ultrapassariam R$ 1,1 bilhão.
Entre as campanhas financiadas está a divulgação da ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda para trabalhadores que recebem até R$ 5 mil. A iniciativa recebeu R$ 18,1 milhões em recursos de comunicação e passou a ser uma das principais bandeiras divulgadas pelo governo federal.
A oposição criticou o volume destinado à publicidade e afirmou que a estratégia poderia representar uma utilização da máquina pública para fortalecer a imagem do governo antes das eleições. O Partido Liberal (PL) entrou com questionamento no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), alegando que os gastos precisam respeitar os limites previstos para publicidade institucional em período eleitoral.
Os críticos também argumentam que o dinheiro destinado às campanhas poderia ser utilizado em outras áreas consideradas prioritárias, como saúde, segurança, educação e investimentos públicos. Para opositores, o crescimento dos gastos com comunicação ocorre em um momento de pressão por controle das despesas do governo.
A Secretaria de Comunicação Social, por outro lado, defende que as campanhas têm caráter informativo e servem para divulgar programas, serviços e direitos da população. O governo afirma que todos os contratos seguem a legislação e que parte dos valores pagos corresponde a compromissos firmados anteriormente.
O aumento dos investimentos em publicidade também reacendeu o debate sobre os limites entre comunicação institucional e promoção política. Especialistas e partidos de oposição costumam questionar até que ponto campanhas financiadas com recursos públicos podem beneficiar a imagem de governantes em períodos próximos às eleições.
O caso ocorre em meio a uma disputa política mais acirrada para 2026, com governo e oposição buscando fortalecer suas narrativas junto ao eleitorado. A publicidade oficial se tornou um dos pontos de confronto entre aliados de Lula e seus adversários.
O debate sobre os gastos da Secom deve continuar nos próximos meses, especialmente com a aproximação do calendário eleitoral. A discussão envolve transparência, controle dos recursos públicos e os limites para o uso da comunicação oficial dos governos em anos de eleição.
Foto: PR