EXIGÊNCIA ELEITORAL DO TSE LIMITA ALCANCE ORGÂNICO DE CANDIDATOS NO X E GERA ACUSAÇÕES DE CENSURA

REDAÇÃO

Regra que restringe a recomendação automática de perfis de candidatos no X provoca críticas sobre interferência estatal nos algoritmos e possíveis impactos sobre a liberdade de expressão durante as eleições.

A decisão do X de restringir a recomendação automática de perfis de candidatos, imposta após pressão do TSE e questionamentos que forçaram a plataforma a ampliar a lista de contas bloqueadas de 665 para quase 2,4 mil, representa um preocupante avanço de controle estatal sobre algoritmos de redes sociais e um claro cerceamento à livre circulação de informações no período eleitoral.
Ao exigir a retirada de contas oficiais de candidatos dos sistemas de recomendação, sob a justificativa de uma norma que privilegia apenas conteúdos pagos, o Tribunal Superior Eleitoral, com o reforço da coligação de Lula que acionou a Corte pedindo sincronização obrigatória e preservação de códigos para auditorias, transforma regras eleitorais em instrumento de interferência direta no funcionamento técnico de plataformas privadas, limitando a visibilidade orgânica de milhares de postulantes e abrindo caminho para interpretações seletivas que podem favorecer ou prejudicar correntes políticas.
A mudança, que não impede publicações, mas suprime o alcance natural de conteúdos, evidencia o risco de censura disfarçada de regulação, como corretamente apontou a subsecretária americana Sarah B. Rogers ao classificar a exigência brasileira como “censura imposta pelo Brasil”, e reforça a necessidade de questionar até que ponto autoridades eleitorais podem ditar o desenho de algoritmos sem comprometer a liberdade de expressão e o debate democrático.
Texto: Rodolfo Oliveira
Fotos: Divulgação