“É O PAGAMENTO MAIS IMPORTANTE QUE TEMOS”: MENSAGENS REVELAM COBRANÇAS DE VORCARO SOBRE CONTRATO COM ESCRITÓRIO DE VIVIANE BARCI DE MORAES

REDAÇÃO

Relatório da PF mostra que Daniel Vorcaro cobrava prioridade nos pagamentos ao escritório da esposa de Alexandre de Moraes e chegou a orientar funcionários a não atrasarem parcelas

Um relatório da Polícia Federal tornado público nesta terça-feira (1º de setembro de 2026), após decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), revela o tratamento prioritário que Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, dava aos pagamentos ao escritório Barci de Moraes Sociedade de Advogados, da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes.
Nas mensagens extraídas do celular do banqueiro, Vorcaro afirma de forma reiterada que o contrato era o “mais importante que temos” e orienta funcionários a nunca deixarem atrasar as parcelas, mesmo que o pagamento fosse feito “sem nota” e “do jeito que for”.
O episódio de março de 2024
O trecho mais citado do relatório ocorreu em 15 de março de 2024. Às 14h58, o ex-ministro das Comunicações Fábio Faria enviou mensagem a Vorcaro dizendo que precisava “retornar o careca”. Poucos minutos depois, às 15h07, reforçou: “Manda pagar a ele. O Careca não pode atrasar”.
Em paralelo, Vorcaro já cobrava o sócio Angelo Silva com irritação:
“Angelo. Pqp. Não pagaram Barci de Moraes. Não to entendendo isso. Contrato mais importante que temos. Te pedi pra não falhar. Surreal. Vamos ter problemas. Manda pagar agora.”
Em seguida, o banqueiro mandou mensagem para a funcionária identificada como “Romy Banco Master”:
“Romy, esse barci moraes por favor não deixe atrasar um dia, coloca no seu controle. É o pgto mais importante que temos.”
E completou: “Mas todo mês acompanha isso pra mim. Pode pagar sempre, sem nota. Do jeito que for.”
Minutos depois, o pagamento de R$ 3.422.268,14 foi efetuado. O comprovante de transferência do Banco Master para a conta do escritório no Itaú chegou a Vorcaro pouco depois da cobrança.
O contrato e os valores
O acordo, firmado em janeiro de 2024, previa 36 parcelas mensais de aproximadamente R$ 3,6 milhões brutos (cerca de R$ 3 milhões líquidos), totalizando cerca de R$ 129 milhões a R$ 131 milhões ao longo de três anos. Os serviços envolviam consultoria jurídica e atuação junto a órgãos como Banco Central, Receita Federal e Congresso.
Segundo dados da Receita Federal enviados à CPI do Crime Organizado, o Master declarou pagamentos de R$ 80,2 milhões ao escritório entre fevereiro de 2024 e novembro de 2025 (22 parcelas). Os repasses foram interrompidos após a prisão de Vorcaro e a liquidação do banco pelo Banco Central.
Em abril de 2025, Vorcaro ainda orientou Angelo Silva a restringir o acesso ao documento: “Ninguém ter acesso. Vc pegar e não deixar ninguém ter acesso a isso”. Em outubro do mesmo ano, ao saber que um pagamento havia sido feito por Pix, o banqueiro reagiu: “Não é bom”.
Outros elementos do relatório
O material da PF também aponta que Fábio Faria intermediou o primeiro contato entre Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes. Há ainda registros de que o próprio Moraes editou a versão final do contrato em janeiro de 2024 (metadados do arquivo apontam o perfil “Ministro Alexandre de Moraes” como último editor).
O escritório Barci de Moraes, em nota, afirma que consultou o ministro — na condição de marido da sócia-diretora — apenas para verificar a existência de impedimentos legais, como eventual atuação do escritório em processos sob relatoria de Moraes no STF. Segundo a banca, não havia qualquer impedimento e os serviços foram efetivamente prestados, com dezenas de reuniões realizadas.
O ministro André Mendonça determinou a retirada do sigilo do relatório e encaminhou o material para análise. O caso segue sob investigação no âmbito da Operação Compliance Zero, que investiga a atuação do Banco Master e de Vorcaro.
Até o momento, as defesas de Vorcaro e de Alexandre de Moraes não se manifestaram publicamente sobre o conteúdo específico das mensagens divulgadas nesta terça-feira.
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