Decisão da Justiça italiana de negar a extradição de Carla Zambelli reacende críticas à cobertura da Folha de S.Paulo e ao destaque dado aos questionamentos apresentados pela defesa sobre o processo no Brasil.
A Folha de S.Paulo chamou Carla Zambelli de “foragida da Justiça”, mas a escolha do enquadramento é alvo de críticas por deixar em segundo plano um elemento decisivo do caso: a Justiça italiana negou a extradição da ex-deputada e questionou aspectos relacionados à condução do processo no Brasil, incluindo a imparcialidade decorrente da atuação de Alexandre de Moraes.
Reduzir toda a situação ao rótulo de “foragida” sem destacar o revés imposto pela Justiça italiana produz uma narrativa incompleta e impede o leitor de conhecer um dos principais argumentos apresentados pela defesa.
O episódio reacende, assim, o debate sobre o tratamento dado pela imprensa a figuras da oposição e sobre a necessidade de apresentar todos os elementos relevantes de um processo judicial, especialmente quando uma decisão de uma corte estrangeira coloca questionamentos sobre a condução do caso brasileiro.
Texto: Rodolfo Oliveira
Foto: Divulgação
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