EM ANO ELEITORAL: CORTE DE 0,25 PONTO DEIXA SELIC EM 14% E MANTÉM CUSTO DO CRÉDITO ALTO

REDAÇÃO

Banco Central cortou a taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual, mas manteve a Selic em nível considerado restritivo, preservando o alto custo do crédito para famílias e empresas.

O Comitê de Política Monetária, Copom, do Banco Central reduziu nesta quarta-feira, 5, a taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual, para 14% ao ano. A decisão, o quarto corte consecutivo no atual ciclo, era prevista pelo mercado. Mas deixa a Selic ainda em patamar restritivo e longe de níveis que representem alívio significativo para a economia.
Mesmo com a nova redução, a taxa permanece entre as mais altas do mundo em termos reais, descontada a inflação projetada. O comunicado do colegiado reforçou cautela, destacando que a medida busca a convergência da inflação à meta sem abrir mão da estabilidade de preços. Projeções do próprio BC apontam para inflação acima do teto da meta em 2026, o que limita o espaço para cortes mais agressivos.
O ciclo de reduções, iniciado em março a partir de 15%, soma até agora apenas 1 ponto percentual de queda. Analistas observam que o ritmo gradual reflete incertezas persistentes, incluindo pressões externas e o comportamento da atividade doméstica. A expectativa do mercado é de que a Selic encerre o ano em torno de 13,75%. Isso pressupõe mais um ajuste moderado, sem mudança substancial no custo do crédito no curto prazo.
Embora a decisão tenha sido unânime, o tom do comunicado evitou sinalizar continuidade automática dos cortes. Os próximos passos ficaram em aberto e dependentes de novos dados. Para famílias e empresas, o impacto prático continua contido. O juro básico segue elevado o suficiente para manter o crédito caro e frear uma recuperação mais robusta da atividade.
Foto: Agência Brasil