APÓS TRÊS ANOS DE AUMENTO DE BENEFÍCIOS, GOVERNO PREPARA CORREÇÃO FISCAL, REVELA ALCKMIN

REDAÇÃO

Geraldo Alckmin reconhece necessidade de correção nas contas públicas após ciclo de expansão de gastos do governo Luiz Inácio Lula da Silva

Brasília: 
Em entrevista ao Valor Econômico, o vice-presidente Geraldo Alckmin admitiu abertamente que, se Luiz Inácio Lula da Silva conseguir a reeleição em 2026, o governo federal terá de promover um ajuste fiscal já em 2027, preferencialmente no primeiro ano do novo mandato. Depois de três anos e meio de expansão generosa de gastos, criação e ampliação de programas sociais, aumento de benefícios e medidas eleitoreiras que elevaram o endividamento público, o próprio número dois do governo reconhece que o modelo atual não é sustentável e que cortes ou novas restrições serão inevitáveis.
Alckmin tentou amenizar a declaração dizendo que o atual governo “melhorou” as contas públicas, mas defendeu a necessidade de “avanços” e afirmou que o tema será discutido na elaboração do programa de reeleição, com o próprio presidente Lula estudando o assunto. Na prática, o recado é cristalino: o eleitor que apostar na continuidade do lulismo deve se preparar para um 2027 de aperto fiscal, correção de rumos e possivelmente sacrifícios maiores, exatamente o tipo de medida que o PT tanto criticou em governos anteriores. Enquanto isso, o vice ainda reclamou que os juros estão “totalmente descalibrados”, como se o Banco Central fosse o único responsável pelo desequilíbrio causado pela política fiscal expansionista do Planalto.
A declaração de Alckmin expõe a contradição central do terceiro mandato de Lula: anos de populismo fiscal com forte aumento de despesas obrigatórias agora deixam uma bomba-relógio para o futuro. Analistas já alertam há meses que, sem correções profundas, a máquina pública pode enfrentar dificuldades crescentes a partir de 2027, com risco de dívida em trajetória insustentável e espaço cada vez menor para investimentos ou novos programas. Mais uma vez, o governo vende estabilidade no presente e empurra o ajuste doloroso para depois da eleição quem paga a conta, como sempre, tende a ser o contribuinte brasileiro.
Foto: Agência Senado